REFLEXÕES FILOSÓFICAS – DAQUILO QUE NOS MOTIVA

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.

(Rubem Alves)

Na sala de professores, de uma escola estadual, os educadores deparam-se, em mais um reinício de aulas, com grandes desafios: motivar-se para educar e motivar os alunos para estarem disponíveis para a aprendizagem, durante mais um ano. A espontânea pergunta de uma colega revela um drama que vem perseguindo os educadores ao longo dos últimos anos: quem e o que irá nos motivar. De qual fonte buscaremos forças e suporte para nosso trabalho de educar, em tempos em que a maior exigência e responsabilidade parecem sempre recair sobre a gente.

Na contramão do que os educadores esperam, surgiram receitas nada generosas por parte das autoridades que respondem pela educação em nosso estado. Prega-se paixão e comprometimento. Fala-se em nova gestão escolar e meritocracia. “Gestão, comprometimento, participação, paixão por aquilo que se faz” (Ervino Deon, secretário estadual de educação, ZH 28.01.2010) Lamentável é que passamos mais um ano sem sermos dignos de nenhum elogio, nenhum reconhecimento. Muito antes, pelo contrário, nossa missão continua dobrada: além do esforço cotidiano de fazer educação de qualidade, precisamos lutar para que as condições de nossas escolas e de nossa profissão não sejam cada vez mais desestruturadas.

Professores não são anjos, nem centopéias. Diferentes de anjos, constroem dignidade através de seu trabalho e de sua dedicação e precisam contar com o apoio e estímulos para realizarem bem o seu ofício de educar. Não fazem a educação de forma isolada, não podem ser cobrados individualmente para responderem pelos problemas dela.
Nem culpados, nem vítimas, os educadores precisam ser considerados como sujeitos de sua ação pedagógica e protagonistas nas soluções pelas quais a escola precisa passar. Novos livros, novos métodos, ampliação de tempo de aulas dos alunos, não substituem os já conhecidos problemas de falta de estrutura material e apoio pedagógico. Virtudes e habilidades como o diálogo, o convencimento, o respeito aos pensamentos alheios, a tolerância é que constroem caminhos de mediação. Estes exigem muita “coragem para fazer”.
A motivação da qual precisamos vem de dentro, mas também vem de fora. Os bons educadores não esmorecem diante das permanentes investidas governamentais que calejam suas esperanças. Para além de esperarem, lutam pelo agora, mesmo contra a correnteza dos muitos que acham que o tempo é eterno. Resistem escolhendo os mais nobres caminhos da sabedoria: a reflexão e a experiência, como já indicava Confúcio.

Nei Alberto Pies, professor e ativista em direitos humanos.

Anúncios

About jussarajuba

"Senhor me faça forte pra continuar, não me deixe fraquejar. Me guie onde eu for, me livre do perigo, do meu caminho afaste o inimigo!"
Esta entrada foi publicada em Sem categoria. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s